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Eu Repórter....O Leviatã

e_u__r_e_p_o_r_t_e_rO Leviatã é uma criatura mitológica, representada, geralmente de grandes proporções. Sua descrição, no Antigo Testamento, é caracterizada sob diversas formas, uma vez que funde-se com outros animais. Segundo a mitologia fenícia : “monstro que se representa sob a forma de crocodilo”. Há outras descrições, como a de dragão marinho, serpente e polvo, sempre na forma de grandes proporções.

Na Idade Média, foi considerado pela Igreja Católica, como um dos sete príncipes infernais, como o demônio representante do quinto pecado, a Inveja.

O titulo, também serviu de inspiração para Thomas Hobbes (1588 – 1679), cientista politico e jus naturalista, que durante a Guerra Civil Inglesa, escreveu o livro “Leviatã”, considerada uma das obras mais influentes já escritas do pensamento politico. No livro, Hobbes afirmava que a “guerra de todos contra todos” ( Bellum omnium contra omnes ) que caracteriza o então “estado de natureza” só poderia ser superado por um governo central e autoritário. O governo central seria uma espécie de monstro – O Leviatã – que concentraria todo o poder em torno de si, e ordenando todas as decisões da sociedade.

O livro, apesar de ter como o seu objeto principal o Estado, parte inicialmente da compreensão sobre o ser humano. O autor, tenta, na primeira parte do Leviatã, desvendar este microcosmo da sociedade, o individuo social, na certeza de que se o objetivo era pensar o Estado, este só poderia acontecer após compreender o ser humano e suas relações sociais, o que os move na vida, quais seus desejos, suas paixões e quais os recursos que estes utilizam para realizá-los.

Desde a publicação do livro, ano de 1651, aos nossos dias, a humanidade, apesar dos consideráveis avanços no seu processo civilizatório, apresenta-se com um comportamento inalterado, quando esta é analisada pela ótica do poder politico, em seu sentido mais amplo. É triste constatar, que os mecanismos e os desejos de dominação entre os homens pouco diferem dos da época em que Hobbes se inspirou para teorizar sobre o assunto. Diante da evidente atualidade do pensamento hobbesiano, o qual tenta compreender o homem e o Estado, suas ideias, conceitos e reflexões, ultrapassam a mera tentativa histórica, ou mitológica, sobre o momento de passagem do “estado de natureza” do homem para o “estado de sociedade”.

O ser humano como ser desejante, o qual é incompleto e busca permanentemente através dos deslocamentos dos objetos de desejos a sua inalcançável completude; se desdobra para aquilo que é sua principal proposição sobre a natureza humana : “o desejo do homem pelo poder”.

No seu livro, as citações, entre outras, que merecem destaque:

1 - “O homem é um ser com uma compulsão que o transcende e o impele a obter sempre mais poder, e uma vez que o desejo é sinônimo de vida humana, está instituído o impasse que inviabilizará a vida no “estado de natureza” forçando a humanidade a uma saída deste impasse, uma vez que permanecer no “estado de natureza” significaria estabelecer um tipo de vida extremamente insegura e ameaçadora. “E a vida do homem é solitária, pobre,sórdida, embrutecida e curta”.

2 - “As paixões que provocam de maneira mais decisiva as diferenças de talento são, principalmente, o maior ou menor desejo de poder, de riqueza, de saber e de honra. Todas as quais podem ser reduzidas à primeira, que é o desejo de poder. Porque a riqueza, o saber e a honra não são mais do que diferentes formas de poder”.

3 - “O maior dos poderes humanos é aquele que é composto pelos poderes de vários homens, unidos por consentimento numa só pessoa, natural ou civil, que tem o uso de todos os poderes na dependência de sua vontade : é o caso do poder de um Estado”.

Nesta assertiva, procuramos entender a constante “luta” dos homens públicos do nosso País, no seu”desejo” de fazer o bem para a população. Atente para : ... “O maior dos poderes humanos... , principalmente se ... a “sociedade organizada” não for “organizada” suficientemente para fiscalizar a gestão da riqueza pública.

Na atualidade o bem mais desejado é a “finança”, e não mais as armas usadas na época de Hobbes, espadas, lanças, onde se causavam mortes diretas em campos de batalha, a “arma” usada atualmente, não causa mais mortes no campo de batalha – campo politico – mas,na saúde, educação, transportes, a mais vil de todas elas, denominada : “CORRUPÇÃO”, ou seja, a arma mais poderosa e a mais usada para se “adquirir” o apoio politico, concordância em todas as ações do Executivo.

Como dizia o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues : “Toda unanimidade é BURRA”. Sempre 9 (nove ) votos é aviltar nossa inteligência.

A sociedade prende-se a “iscas” lançadas, como a “ficha limpa”, devemos sim exigir qualificação para que pessoas exerçam cargos públicos e, a PRIMEIRA exigência é : “QUALIFICAÇÃO” pois, a maioria é de : “DESQUALIFICADOS”, principalmente no quesito “PREPARO” ( psicológico e cultural).

No quesito psicológico, um relevante é a SOBERBA... mas, há muitos outros.

No quesito cultural, um relevante é a CIDADANIA... idem & idem

Na acepção hobbesiana : que em todo ser humano há um Leviatã no seu âmago, este mesmo “ser” que foi escolhido para nos governar, pelo processo democrático, não pode estar liberto de seu desejo de “estado de natureza”, transformando o Estado em “SEU LEVIATÃ ! ! ”.

Paulo Rensi

Bandeirantes – PR

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