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Sem Libertadores, Paulistão começa com atenção total dos clubes

Depois de muitos anos, o Campeonato Paulista volta a ter atenção total dos grandes clubes do Estado, que estão fora da Copa Libertadores da América de 2014. Assim, o Estadual começa neste fim de semana, com uma nova fórmula de disputa, e sendo a única opção de título neste primeiro semestre para equipes como Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos.

 
Desde 1998, esta é a primeira vez que nenhum representante paulista dividirá sua força entre o campeonato local e o principal torneio sul-americano. A falta de planos internacionais aumenta a obrigação dos participantes do Estadual, que terão apenas as primeiras fases da Copa do Brasil sendo disputadas simultaneamente.
 
“Vai ser complicado, porque os times grandes não estão disputando a Libertadores e vão dar atenção para o Paulista mesmo. Além disso, vemos que os times menores estão se preparando bem também, mas acho que temos tudo para chegar bem lá na frente”, salientou o goleiro Walter, que começa o ano como titular do Corinthians, sem a concorrência de Cássio, lesionado.
 
Os quatro principais clubes do Estado apostaram em estratégias diferentes para o campeonato. O São Paulo manteve o técnico Muricy Ramalho e a base de seu elenco (só contratou o lateral direito Luis Ricardo até agora), enquanto o Corinthians também mexeu pouco no grupo, mas trocou Tite por Mano Menezes e ainda reformulou seu departamento de futebol.
Já o Palmeiras segurou Gilson Kleina, optando por alterar bastante o elenco, sendo o grande que mais contratou, com sete reforços: William Matheus (ex-Goiás), Victorino (ex-Cruzeiro), Lúcio (ex-São Paulo), França (ex-Hannover-ALE), Marquinhos Gabriel (ex-Bahia), Diogo (ex-Portuguesa) e Rodolfo (ex-Rio Claro).
No entanto, a única grande contratação no Estado foi anunciada pelo Santos, que tirou Leandro Damião do Internacional. Além disso, o Peixe também promoveu o retorno do técnico Oswaldo de Oliveira, substituto de Claudinei Oliveira. Nesta edição do campeonato, o Peixe não poderá contar com seu grande trunfo das edições passadas: Neymar. Desde que o craque foi alçado aos profissionais, em 2009, o time da Vila Belmiro sempre chegou à final, tendo três títulos (2010, 2011 e 2012) e dois vices (2009 e 2013, perdendo ambos para o Corinthians).
Para suprir a lacuna deixada pela saída de Neymar no meio do ano passado, Oswaldo terá como uma de suas principais apostas o argentino Montillo. “Esperamos começar jogando bem este ano, da forma como acabamos a temporada passada, e consigamos o título do Paulista”, afirmou o atleta, que custou cerca de R$ 16 milhões ao Peixe em 2013, tendo seu valor superado agora pela transferência de Damião, contratado por R$ 42 milhões, com a ajuda de investidores.
O alto investimento do Alvinegro Praiano no ex-colorado não foi repetido pelos rivais. O Corinthians, que no ano passado contratou Alexandre Pato (ainda uma incógnita para a Fiel), está com gastos bem mais modestos. Até agora, o clube acertou oficialmente apenas com o lateral esquerdo Uendel (ex-Ponte Preta) e o zagueiro Wanderson, que chegou ao Timão no meio do ano passado, depois de passagem pelo Sertãozinho, e ficou em recuperação no time da capital paulista até assinar contrato.
O clube mantém sua busca por reforços de baixo custo, mas tem mais esperança em fazer despertar o elenco vitorioso que caiu de rendimento no segundo semestre do ano passado. Mano Menezes terá a missão de recuperar o futebol de um time com Emerson Sheik, Paolo Guerrero, Douglas e Danilo, além de fazer Alexandre Pato enfim cair nas graças da torcida.
A missão é parecida com a de Muricy Ramalho no São Paulo. Com contrato renovado, o treinador terá de fazer o mesmo elenco de 2013 mostrar uma eficiência que faltou nos campeonatos anteriores. Sem o atacante Aloísio, que era xodó da torcida e se transferiu para o futebol chinês, o técnico terá de recuperar a confiança de Luis Fabiano e apagar a má campanha no Brasileirão, quando o time chegou a ser ameaçado pelo rebaixamento. Por isso, o Estadual é a chance de o Tricolor garantir paz em 2014.
“O Estadual é o primeiro compromisso do ano e serve para dar uma força maior ao time. Quando você não ganha este título, todo mundo fica triste. Quando ganha, dizem que não foi mais do que a obrigação. Mas é claro que nos daria uma tranquilidade maior para trabalhar. Vamos ficar focados”, avaliou o zagueiro Antônio Carlos.
O esforço do São Paulo neste primeiro semestre também será o de manter o futebol longe da guerra política. Com eleição para presidente prevista para abril, Juvenal Juvêncio deixará o cargo máximo, tentando evitar que seus ex-aliados, hoje na oposição, vençam o pleito.
Quem também vai às urnas nesta temporada é o Palmeiras, que vive a expectativa de um ano especial. O clube festejará o centenário em agosto, mas quer começar a festa bem antes. No entanto, a diretoria evitou grandes gastos, seguindo o discurso do presidente Paulo Nobre de que o clube “não será refém do centenário”.
Os reforços aceitaram uma filosofia de salários mais baixos, com bônus por metas alcançadas. Para completar a reformulação, antigos titulares deixaram o Verdão, como o zagueiro Vilson e o até então intocável Márcio Araújo. Já o lateral direito Luis Felipe, em litígio com a diretoria, está afastado do grupo. Um dos remanescentes da Série B, o atacante Alan Kardec acredita que o clube terá jogos complicados desde o início.
“Sempre existe dificuldade, porque há equipes de qualidade, que estão treinando desde novembro e dezembro. Além disso, todos estão com concentração total na competição, porque não tem time nenhum na Libertadores”, ponderou o atacante, que foi campeão estadual pelo Santos, em 2012.
 
Interior -
 
 A força dos times de fora da capital se tornou um dos atrativos do Paulistão. Muitas vezes, as equipes do interior apostam em jogadores já conhecidos no Brasil, como é o caso do Atlético Sorocaba, que contratou o goleiro Deola e os atacantes Lenny e Ewerthon. O Comercial é mais um exemplo, apostando no ex-goleiro da Roma, Júlio César, e no brasileiro naturalizado polonês Roger Guerreiro.
Há também as equipes administradas por nomes conhecidos. O Ituano vem sendo organizado desde 2009 pelo ex-meio-campista Juninho Paulista. O gestor do time de Itu duela com outro pentacampeão neste Estadual: Rivaldo, que comanda o Mogi Mirim e ainda não decidiu se ajudará o time também dentro de campo.
Já um clube que mudou de direção foi o Audax, que faz sua primeira participação na elite paulista nesta temporada, justamente depois de ter sido vendido pelo Grupo Pão de Açúcar para o Grêmio Osasco.
A edição deste Paulistão não terá o tradicional clássico de Campinas, pois o Guarani foi rebaixado no ano passado (junto com Mirassol, União Barbarense e São Caetano). Portanto, a Ponte Preta é a única representante da cidade, tentando esquecer a queda no Brasileirão passado. Atual vice-campeã da Copa Sul-americana, a Macaca não conseguiu renovar com o técnico Jorginho, contratando Sidney Moraes.
 
Fórmula - 
 
Em meio à pressão do Bom Senso FC por menos jogos e diante de uma temporada mais apertada por conta da realização da Copa do Mundo, o Paulistão ficou um pouco mais enxuto em 2014, com quatro datas a menos do que na edição anterior.
Dividido em quatro grupos de cinco times, encabeçados pelos grandes, o Estadual não promoverá os confrontos entre todas as 20 equipes, mas os clássicos estão garantidos. Na primeira fase, cada time enfrentará os componentes das outras chaves, sem se encontrar com os integrantes de seu próprio grupo.
Ao término das 15 rodadas, os dois melhores de cada chave se classificam para as quartas de final em jogo único, enquanto os quatro times que menos pontuarem serão rebaixados. A semifinal também será resolvida em partida única, mas a finais terão dois confrontos.
 
 
FONTE - GAZETAESPORTIVA.NET
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